Como não foi possível abrir a série sobre cearenses ilustres sem José de Alencar, também não é possível abrir a série de comediantes sem falar do sobralense Renato Aragão, o famosíssimo Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumbo, o grande palhaço - na melhor acepção do termo, o de quem faz rir - cearense.
Quem é da minha geração, nascido na década de 1970, e até mesmo alguns nascidos um pouco antes de mim, não têm como desassociar da trupe liderada por Didi, os Trapalhões, das noites de domingo e das férias de verão o filme do grupo, que vinha quase todo ano. Quando eu era moleque, era algo tão sagrado ficar em frente à televisão às 19 horas de domingo que até a hora do jantar era pautada por isso, era antes ou depois dos Trapalhões.

Renato Aragão, foto por Gustavo Vara
O humor do Didi é um humor inocente, talhado para crianças, com o passar dos anos e a adolescência, muda um pouco o tipo de humor que consumimos, hoje, eu vejo no meu filho de nove anos um pouco do sentimento que eu tinha, é bacana ver que esse cara de 73 anos, isso mesmo, 73 anos, o Didi nasceu em Janeiro de 1935, ainda é capaz de se conectar de forma tão cândida com os pequenos, mesmo que os pequenos de hoje não sendo tão inocentes quanto os da minha época, eles não são impermeáveis ao humor do Didi.
Quem o vê hoje não imagina o segundo tenente do exército da década de 1950 ou o advogado que se formou no comecinho dos anos 1960. Começou o trabalho na televisão por trás das câmeras, em uma função análoga a diretor na TV Ceará, em 1963 ele saiu do Ceará para fazer um curso de aprimoramento no Rio de Janeiro e foi convidado para trabalhar no humorístico A E I O Urca, e no ano seguinte ao lado de Ivon Curry, Wanderley Cardoso e Ted Boy Marino estreou o programa Adoráveis Trapalhões, em fórmula que guardou em 1975, quando montou a formação mais amada da trupe.
Referi-me a Renato Aragão em maior parte do texto como Didi, mas não foi por nada, apenas porque para mim, ele será sempre o adorável palhaço sem maquiagem das noites de domingo.

