Cearenses Ilustres: Clóvis Beviláqua

enviado por Gilberto "Knuttz" Soares Filho

Entre os grandes cearenses ilustres que o Brasil viu, temos autores de romances imortais, como José de Alencar e Rachel de Queiroz; temos heróis que lutaram com o que tinham ao seu alcance contra a escravidão, como Dragão do Mar; temos poetas do povo, como Patativa do Assaré, que como poucos soube versar sobre o sofrimento do povo do sertão, do povo que viveu as secas, a miséria. Mas não receio em dizer que a obra escrita por um cearense que mais influenciou a vida do brasileiro, não foi um romance, nem conto, nem poesia, foi um código de leis.

Refiro-me ao Código Civil de 1916, obra que o deputado jurista cearense Clóvis Beviláqua escreveu a convite do então Ministro da Justiça Epitácio Pessoa, em 1899, e, que por mais oitenta anos, definiu o que era ou não legal nos mais variados aspectos da nossa sociedade, influenciando diretamente ou indiretamente milhões de pessoas, diversas empresas e instituições.

Nascido na pequena cidade de Viçosa do Ceará, na Serra da Ibiapaba, próximo à divisa com Piauí, aos 10 anos de idade Clóvis se mudou para a cidade de Sobral para estudar. Um pouco mais tarde foi para Fortaleza dar prosseguimento em seus estudos e, aos 17 anos, junto a Paula Ney e Silva Jardim, fundou o jornal “Liborium Literarium”. Como era muito comum àquela época, ele saiu do estado para estudar e se formar Bacharel em Direito na cidade de Recife, onde passou a residir. Durante seu bacharelado, Clóvis ligou-se a um movimento intelectual recifense chamado “Escola do Recife”. Posteriormente viria a lecionar Filosofia e Legislação Comparada, uma das áreas em que obteve maior destaque.

Clóvis publicou várias críticas literárias, ensaios e livros jurídicos. Tal era a qualidade de sua obra e crescente sua reputação, que foi convocado em 1896 para ser um dos sócios fundadores da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira número quatorze. A mesma reputação que lhe alçou à ABL, lhe rendeu o convite, em 1899, para produzir um novo Código Civil para o Brasil. O mais impressionante é que Clóvis, então com apenas quarenta anos de idade, foi capaz de produzir tão importante e duradoura obra no resumido período de seis meses.

Entre as inúmeras atividades que exerceu, Clóvis foi consultor jurídico do Ministério das Relações Exteriores entre os anos de 1906 e 1934, quando foi compulsoriamente aposentado. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1944.

Desde 1960, seu nome foi imortalizado no fórum da comarca de Fortaleza, chamado de Fórum Clóvis Beviláqua, que com a mudança para nova sede de 75.000m² em 1997, ganhou status de maior edifício público da América Latina. Um grande prédio, para um dos maiores juristas que o Brasil já teve.

Cearenses Ilustres: Rachel de Queiroz

enviado por Gilberto "Knuttz" Soares Filho

Se José de Alencar é o grande escritor cearense, Rachel de Queiroz é sem dúvida alguma não apenas a grande escritora cearense, mas a grande escritora brasileira. Rachel é natural de Fortaleza, onde nasceu em 1910, já aos quinze anos de idade, em 1925, mostrou à que veio e teve contos e poemas de natureza modernistas publicados no jornal “O Ceará” sob pseudônimo de Rita Queluz.

Poucos anos depois ainda aos vinte anos de idade, Rachel publicou o romance que lhe deu projeção nacional, O Quinze (1930), é um romance que relata o sofrimento do nordestino em face da seca e da miséria por ela provocada, no começo do século que passou. Nove anos depois, já escritora consagrada, Rachel muda-se para Rio de Janeiro.

Em Agosto de 1977, Rachel tornou-se a primeira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letra, tomando posse em novembro do mesmo ano, de sua cadeira de número 5. Entre os diversos prêmios que a escritora recebeu, destaca-se o “Prêmio Camões” com o qual foi em 1993 em Portugal, que pode, em grosso modo, ser considerado o Nobel da literatura em português.

“Doer, dói sempre. Só não dói depois de morto. Porque a vida toda é um doer” 

Dentro de sua vasta obra, destacam-se, além do “O Quinze”, seu romance inicial, “As Três Marias” e “Memorial de Maria Moura”.Este último foi adaptado na forma de mini-série para a televisão, e teve a personagem título interpretada por Glória Pires. A obra conta a trágica história de uma mulher do século XIX, que depois de perder o pai na infância e a mãe na adolescência, foi seduzida pelo padrasto e possível assassino de sua mãe, não fossem esses elementos suficientes, ela vê a propriedade que herdou ser ameaçada por parentes sem escrúpulos. Mas em vez de sucumbir às dificuldades, ela resistiu e travou dura luta.

A série bateu recordes de audiência.

Em 2003, pouco antes de completar 93 anos de idade, chegou ao fim a vida desta mulher que desde os mais tenros 15 anos de idade destacou-se no uso das palavras.

“A Gente nasce e morre só. E talvez por isso mesmo é que se precisa tanto de viver acompanhado”

Raquel de Queiroz

Estatua de Rachel de Queiroz, na Praça dos Leões, em Fortaleza

 

Obras da autora:

  • O quinze, romance (1930)
  • João Miguel, romance (1932)
  • Caminho de pedras, romance (1937)
  • As Três Marias, romance (1939)
  • A donzela e a moura torta, crônicas (1948)
  • O galo de ouro, romance (folhetins na revista O Cruzeiro, 1950)
  • Lampião, teatro (1953)
  • A beata Maria do Egito, teatro (1958)
  • Cem crônicas escolhidas (1958)
  • O brasileiro perplexo, crônicas (1964)
  • O caçador de tatu, crônicas (1967)
  • O menino mágico, infanto-juvenil (1969)
  • Dora, Doralina, romance (1975)
  • As menininhas e outras crônicas (1976)
  • O jogador de sinuca e mais historinhas (1980)
  • Cafute e Pena-de-Prata, infanto-juvenil (1986)
  • Memorial de Maria Moura, romance (1992)
  • Teatro, teatro (1995)
  • Nosso Ceará, relato, (1997) (em parceria com a irmã Maria Luiza de Queiroz Salek)
  • Tantos Anos, autobiografia (1998) (com a irmã Maria Luiza de Queiroz Salek)
  • Não me deixes: suas histórias e sua cozinha, memórias gastronômicas (2000) (com Maria Luiza de Queiroz Salek)

Cearenses Ilustres: Patativa do Assaré

enviado por Gilberto "Knuttz" Soares Filho

Eu só consigo ver Antônio Gonçalves da Silva de uma forma, a de um ser iluminado. Nascido no município em família pobre, que usava a agricultura de subsistência para se manter, no município de Assaré em 1909, e tornando-se órfão de pai apenas 8 anos depois, Antônio conseguiu na segunda metade do século XX, já conhecido pela alcunha de Patativa do Assaré, ser alçado ao posto de uma dos principais poetas populares do Brasil.

Patativa, que faleceu em 2002, começou a fazer repentes – como são conhecidas as poesias de improviso –, muito novo ainda aos 16 anos de idade, Patativa foi ainda cantador, violeiro, improvisador e cordelista. Só quem já viu um duelo de poetas de improviso, sabe da agilidade mental necessária para tal. Em 1956, publicou seu primeiro livro, chamado “Inspiração Nordestina”, e teve diversas coletâneas de suas obras também publicadas.

Estátua de Patativa do Assaré, do Centro Dragão do Mar

O traço mais marcante da poesia de Patativa foi ser não apenas a voz dos sertanejos e trabalhadores rurais, mas de todos aqueles que de uma ou outra forma eram deixados forçosamente à margem da sociedade, talvez por isso ele tenha preferido a oralidade, a declamação de seus poemas, como forma principal de transmissão de sua arte, não se fazia necessário ao seu público o domínio da leitura, e sua entonação dava o tom da emoção. Tão oral é sua obra, que perde muito do seu encanto ao ser transposta para o papel.

Entre as dezenas de prêmios que recebeu, estão cinco “Doutor Honoris Causa” e o “Sereia de Ouro”, uma das principais, senão a principal, premiação da iniciativa privada no Ceará.

 

Como sua marca é a oralidade, em vez de publicar uma poesia, deixo-os com um vídeo do próprio declamando “A Morte de Nanã”.

Foto de Patativa do Assaré CC por Ricardo.

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