Eu só consigo ver Antônio Gonçalves da Silva de uma forma, a de um ser iluminado. Nascido no município em família pobre, que usava a agricultura de subsistência para se manter, no município de Assaré em 1909, e tornando-se órfão de pai apenas 8 anos depois, Antônio conseguiu na segunda metade do século XX, já conhecido pela alcunha de Patativa do Assaré, ser alçado ao posto de uma dos principais poetas populares do Brasil.
Patativa, que faleceu em 2002, começou a fazer repentes – como são conhecidas as poesias de improviso –, muito novo ainda aos 16 anos de idade, Patativa foi ainda cantador, violeiro, improvisador e cordelista. Só quem já viu um duelo de poetas de improviso, sabe da agilidade mental necessária para tal. Em 1956, publicou seu primeiro livro, chamado “Inspiração Nordestina”, e teve diversas coletâneas de suas obras também publicadas.

Estátua de Patativa do Assaré, do Centro Dragão do Mar
O traço mais marcante da poesia de Patativa foi ser não apenas a voz dos sertanejos e trabalhadores rurais, mas de todos aqueles que de uma ou outra forma eram deixados forçosamente à margem da sociedade, talvez por isso ele tenha preferido a oralidade, a declamação de seus poemas, como forma principal de transmissão de sua arte, não se fazia necessário ao seu público o domínio da leitura, e sua entonação dava o tom da emoção. Tão oral é sua obra, que perde muito do seu encanto ao ser transposta para o papel.
Entre as dezenas de prêmios que recebeu, estão cinco “Doutor Honoris Causa” e o “Sereia de Ouro”, uma das principais, senão a principal, premiação da iniciativa privada no Ceará.
Como sua marca é a oralidade, em vez de publicar uma poesia, deixo-os com um vídeo do próprio declamando “A Morte de Nanã”.
Foto de Patativa do Assaré CC por Ricardo.

